Há algum tempo, as nações e reinos de Arch’an
gozam de relativa “paz” e “segurança”. É fato que o processo de formação dos
principais Reinos e Nações de Arch’an
não foram “fáceis”, e que em particular, a expansão e consolidação do Império de Arcaria foi mais tortuosa (e
sangrenta) que a consolidação de qualquer outro governo. No entanto, a sensação
que há de maneira geral na população dos Reinos do Eixo d’Meão, é de que há um clima de “segurança” e “estabilidade”.
Ironicamente, parece que boa parte da população
esqueceu a que custo foi conseguida essa “ordem”, a que custo foi conseguida
essa unificação “nacional” (ou “real”). Sim, boa parte da população de Arch’an
esqueceu... E os governos do Eixo d’Meão justamente investiram no reforço desse
“esquecimento”.
Mas será que realmente todos esqueceram? Os
fatos das décadas mais recentes do Mundo de Arch’an indicam que não... Nem
todos esqueceram...
A Grande Inquisição
Sem dúvidas, o ponta-pé da atual civilização
estabelecida em Arch’an (sobretudo no Eixo d’Meão) foi o evento que ficou
conhecido como A Grande Inquisição.
Este era o nome da Campanha de Extermínio responsável por perseguir e extinguir
o que a sociedade da época chamava de “demônios” e “aberrações não-humanas”.
As histórias e lendas em torno da Grande
Inquisição variam muito, sobretudo de lugar para lugar, mas há uma confluência
muito forte no que concerne a considerá-la como um empreendimento militar e
religioso dirigido e idealizado pelo imperador Arch, da grande cidade de Dahen (que
foi rebatizada em homenagem ao seu “inesquecível regente e imperador” vários
anos após sua morte lutando na Grande Inquisição, com o nome de Arcaria) em aliança com a Igreja de
Leto.
As versões oficiais da própria História oficial
de Arcaria conta que esta foi uma Guerra que contou com a participação dos mais
variados povos e impérios da civilização humana. Ao mesmo tempo, também
conta-se que por conta disso, permitiu que Arch aumentasse o poder e influência
de Dahen por entre outras cidades e impérios menores.
Já perto da “vitória da humanidade” na Grande
Inquisição, Arch morre lutando, e muitos anos após a Guerra é “imortalizado”
pelos homens de poder envolvidos na Guerra dando o seu nome ao continente em
que se estabelece as civilizações humanas, Arch’an
(poucos anos antes da nomeação de Arcaria).
Para infelicidade da cidade de Dahen, a morte do
imperador Arch desestabilizou todo o poder e influência que a grande cidade
estava edificando durante a Grande Inquisição na sua relação com outras cidades,
impérios e reinos.
Uma civilização de nobres, terras e divisão...
Mas não foi apenas isso... Os prejuízos da
guerra não eram apenas financeiros e militares, a sociedade humana de maneira
geral foi muito abalada, muitas cidades (até mesmo grandes cidades) entraram em
ruínas, a economia destroçada, epidemias de guerra, ruas e estabelecimentos
destruídos, reinos e grandes impérios destruídos ou fragmentados... Foi um dos
episódios mais sangrentos e custosos de toda a História humana. E a partir
disso, a antiga Dahen, agora de nome Arcaria, não goza mais do prestígio e
poder que tinha antes da Guerra.
Inclusive, o tamanho da sociedade “civilizada” e
“organizada” diminui drasticamente, não só em números populacionais, mas até em
ocupação territorial, tanto por culpa do grande abismo populacional que se
gerou, quanto pela pressão exercida pelos diversos Povos Bárbaros.
Os povos “civilizados” passaram a se centrar nas
terras frias no Noroeste de Arch’an (o que mais tarde virá a formar as Terras Povoadas do Norte), bem como nas
terras do litoral do Oceano Mercant (e
na Ilha Gran’fort). Enfraquecidos,
estagnados e fragmentados, a atividade comercial e mercantil desses povos cai
drasticamente, bem como se enfraquece mais ainda o comércio de escravos (onde,
antes da Grande Inquisição, a escravidão era a base econômica “civilização”
humana). A sociedade em Arch’an de maneira geral passa a se voltar muito para
uma produção agrícola (de subsistência) e passa a secundarizar bastante as
relações mercantis.
Tempo do inferno gelado
Esse panorama social citado, em essência, é
mantido por séculos e séculos, até que pela faixa de 1270 anos d.G.I. (isso
é, 1270 anos depois da Grande Inquisição), Arch’an começa a passar por uma temporada
de sucessivos e agressivos invernos que dura até cerca dos anos 1350 d.GI. Eram os invernos mais fortes
que se tem conhecimento desde milhares de anos. Ficaram popularmente conhecidos
como Tempo do Inferno Gelado.
Foram tempos conturbados, tempos de penúria e de
grande instabilidade. A Igreja de Leto, mesmo sendo a única instituição que
conseguia ter uma base sólida por toda a extensão territorial da “civilização”
se viu muitas vezes temerosa de perder seu poder e influência.
Os impostos das autoridades, as taxas
religiosas, e toda uma série de tributos, em meio ao momento de aperto dos
agressivos invernos anuais em vez de serem aliviados e diminuírem, aumentaram,
aumentando a penúria e insatisfação da população servil e camponesa. Revoltas
de camponeses e servos começaram a eclodir por todos os reinos, ducados e
feudos...
Revoltas Camponesas e
a Formação dos Governos Reais Centrais
a Formação dos Governos Reais Centrais
Em conjunto com o desenvolvimento mercantil, os
senhores feudais e os nobres se viam cada vez mais temerosos dos problemas que
estas sucessivas revoltas poderiam causar. Para tanto, devido ao prodigioso
desenvolvimento mercantil somado a este medo dos nobres e senhores, governos reais
mais centralizadores e rígidos começaram a serem formados. Na intenção tanto destes
governos garantirem um melhor desenvolvimento mercantil àquele determinado
território ou Nação, ao mesmo tempo que por sua maior centralização e rigidez
garantisse mais segurança e repressão contra variadas ameaças, sobretudo
ameaças como as Revoltas Camponesas.
De maneira sistemática isso ocorreu mais ao sul.
No entanto, no Noroeste de Arch’an, a sociedade ainda se mantém nos moldes “antigos”,
com territórios altamente fragmentados formado por uma variedade de reinos,
ducados, feudos, cidades independentes, e etc., e economicamente altamente
dependente da terra, com um desenvolvimento bem estagnado, muito em conta
também devido as condições climáticas locais.
Nos reinos mais ao sul essa centralização de
reinos e governos aconteceu quase que simultaneamente devido à proximidade e similaridade
de condições. Mas deve-se destacar que ela ocorreu de maneira diferente em
Arcaria. Ao contrário dos outros governos, que expandiram seu poder e
centralização muito mais por meio de acordos entre nobrezas e anexações que
quase nunca contaram com conflitos armados (a não ser alguns senhores feudais “independentes”),
o governo da cidade de Arcaria expandiu seu poder muito mais por meio da força
armada que qualquer outra coisa, e sem dar muita importância as famílias nobres
e outras formalidades.
A extensão territorial do poder de Arcaria como
dizem, não segue o padrão de um Reino: “Isto não é um Reino, é um Império”. Seus governantes não
necessariamente são nobres com nomes de famílias demarcados por linhagens
premeditadas, muitas vezes são homens que chegaram lá por meio de sua
competência política e até mesmo militar. Líderes considerados competentes, ou
mesmo Generais do Exército de Arcaria que obtiveram notável prestígio.
A particularidade do Império de Arcaria se deve ao fato de que o sistema político da
cidade de Arcaria (no caso da cidade de Dahen) antes da Grande Inquisição foi
muito bem preservado durante séculos e séculos até os dias de hoje. Logo, na
centralização e expansão de seu poder, estas particularidades também são
expressas.
Estabilizar o crescimento da economia mercantil;
expandir o poder central; e controlar as
– cada vez mais “incontroláveis” – revoltas camponesas. Estes eram os principais
motivos da Formação dos Governos Reais
Centrais.
Formação do Eixo d’Meão
Neste processo se formam: O Império de Arcaria,
Ilha Gran’fort, Grand’terra, Valenfal, Galadryan, Giert. Os Reinos de ordem menor também se estabilizam politicamente nesse
processo, porém não conseguem unificações e centralizações equiparáveis (por
isso são conhecidos como de “Ordem Menor”), e a Nação de Leto é um território religioso estabelecido e fundado mais
por outras circunstâncias do que pela centralização motivada pelas Revoltas.
Após a expansão violenta do Império de Arcaria (e
uma ou outra experiência violenta nas anexações dos outros reinos), os Governos
Centrais passaram a temer agora que as expansões territoriais dos Governos
Centrais chegassem além dos limites até ali adquiridos, fazendo com que um
Governo Central se digladiasse diretamente com outro... Temendo também que isso
gerasse uma situação de desgraça para a civilização em geral, próxima ou igual
a situação gerada pela Grande Inquisição. A partir daí, os principais Governos
estabelecidos em terras continentais estabelecem um tratado conhecido como Tratado d’Meão, onde os territórios dos
Governos envolvidos neles passam a integrar o Eixo d’Meão.
Os que assinaram o tratado e fazem parte do Eixo
d’Meão são cinco reinos: Império de Arcaria, Grand’terra, Valenfal, Galadryan e
Giert.
O Massacre d’Meão
Depois do ano de 1320 d.G.I., vem a última temporada – e a mais severa – do “Inferno
Gelado”. A ganância e incompetência dos poderosos somada a penúria cada vez
maior da população camponesa, gerou a maior
revolta camponesa dentre todas as que já tiveram. De maneira sistemática, as
revoltas eclodiram quase que simultaneamente em todos os reinos, tendo estas
revoltas uma força muito maior nos reinos do Eixo d’Meão. O evento ficou
conhecido como A Grande Revolta.
O primeiro – e maior – episódio da Grande
Revolta ocorreu numa pequena cidade que contava com uma grande população
camponesa insatisfeita com os tributos do Império de Arcaria em meio aquela
situação do Inferno Gelado. Foi na Cidadela
do Moinho em 1334 d.G.I.
Tal como simultaneamente os camponeses se
rebelaram por todo o Eixo d’Meão (e até um pouco além dele), todos os Governos
do Eixo d’Meão responderam as insatisfações com violência, fogo e ferro, também
simultaneamente. Ocorrendo assim o que ficou conhecido – informalmente, óbvio –
como o Grande Massacre, ou como O
Massacre d’Meão. De todos esses fatos, o que merece um maior destaque, foi
o ocorrido na Cidadela do Moinho. O Império de Arcaria, por meio de seu
Exército, não hesitou derrubar sua gigantesca e pesada mão sobre a população de
lá. A população da Cidadela camponesa foi praticamente dizimada e reduzida a
poeira para servir de exemplo a população camponesa de terras próximas...
Tempo da Ordem de Arch’an
Ironicamente, a história oficial nos conta que o
pleno estabelecimento dos Governos Reais Centrais, conhecido como Tempo da Ordem de Arch’an data de 1340 d.G.I.
Inteligentemente associam esta data à proximidade do fim do Tempo do Inferno Gelado (que tem seu
fim estimado em 1350 d.G.I.). Mas o fato é que, 1340 d.G.I. é o tempo estimado
do fim da Grande Revolta (devido o pouco lembrado Massacre).
Atualmente, boa parte da população não recorda
de tal fato, nem mesmo o conhece. E os Governos Reais investem justamente no
reforço deste esquecimento. Mas aqueles que sobreviveram a tal campana de
genocídio não esqueceram... Nunca esquecerão.
Há um forte rumor disseminado por todos os
reinos e cidades do Eixo d’Meão, sussurrados de maneira cautelosa nos festejos
camponeses e entre os frequentadores de tabernas, que diz que: os familiares
das vítimas e os sobreviventes, não só não esqueceram, como também prometeram
não perdoar...
Contam-se histórias de uma guilda... Não, guilda
não... De uma grandiosa e secreta Irmandande
fundada pelos homens que “não esqueceram, e não perdoaram”, e composta não só
por eles como também por adeptos de sua causa – inconformados com os rumos que
seguem os governos do Eixo d’Meão.
Conta-se também que o nome dessa Irmandade
secreta foi idealizado em homenagem às vítimas do ocorrido, mais
especificamente em homenagem as vítimas que sofreram com a mais pesada mão do
grande Massacre, isso é, a população dizimada da cidadela do Moinho.
A irmandade
A Irmandade
do Moinho Vermelho é tratada pelos governos do Eixo d’Meão como um problema
real, e não como um mero rumor. As intensas perseguições e “paranoias” das autoridades
são uma prova disso.
Muitos grupos e indivíduos que se opõem de
alguma maneira aos homens de poder, são associados indiscriminadamente à
Irmandade do Moinho Vermelho. Guardas reais deterem insubordinados e revoltosos
analfabetos justificando estes atos arbitrários, falando que são suspeitos de
serem membros do Moinho Vermelho já se tornou uma cena frequente.
Colocam a suposta Irmandade como uma ameaça real
à Ordem, à Paz, e ao grande desempenho econômico mercantil dos Reinos do Eixo.
Não se sabe se por paranoia ou de maneira deliberada, mas esta perseguição é
tão colossal que alguns chegam a se perguntar se isto não é mais do que uma
bravata das autoridades para perseguirem opositores de maneira indiscriminada.
Numa configuração como esta, é compreensível que muitas pessoas acreditem que,
de fato, a Irmandade do Moinho Vermelho não passe de uma invenção dos governos
do Eixo.
No entanto, tudo indica que a Irmandade do
Moinho Vermelho não é só um rumor, mas é sim uma sociedade secreta real, com
sua atuação centrada nos cinco reinos do Eixo d’Meão.